No seguimento desta data a redacção do jornal achou por bem realizar e publicar uma reportagem alusiva a este propósito.
Cabe ao grupo desejar as maiores felicidades e sucesso ao nosso colega e Excelentíssimo Treinador e que realize o "seu sonho" de comemorar 40 anos como Treinador.
| Elvino Lourenço comandando as suas tropas no jogo contra o Palmelense FC. |
| ALVALADE, a casa onde um dia comandará as suas tropas (onde estão os adjuntos???) |
"ONDE APRENDEU TUDO" Elvino Lourenço há 40 anos no jornal "a União"
Começou como tipógrafo aos 11 anos de idade naquele que é o jornal mais antigo da ilha Terceira. Elvino Lourenço, com 51 anos de idade, comemora agora 40 anos ao serviço da casa onde aprendeu tudo o que sabe, não se imaginando a fazer outra coisa.
Tendo, numa fase inicial, trabalhado na composição manual, passando à composição linotype e por último, à composição informática, Elvino Lourenço é actualmente o paginador do jornal “a União”, onde trabalha há 40 anos sempre com a mesma motivação.
Sem hipóteses de continuar os estudos, acabado de sair da escola, começou a trabalhar de aprendiz na tipografia do jornal “a União”, naquela altura, já propriedade da Diocese de Angra e situado na Rua da Palha.
“Trabalhava inicialmente com umas ‘caixas’ onde constavam as letras que seriam tipografadas no jornal e trabalhei com a máquina Intertype, só mais tarde, depois de já ter adquirido a carteira profissional de tipógrafo, é que passei a paginador”, confessa.
“Na altura a tipografia era uma arte. Era preciso ter carteira profissional de tipógrafo para se trabalhar com as letras. Mantenho a minha até aos dias de hoje”, revela Elvino Lourenço.
Uma vida nas “letras”
Passados 40 anos, Elvino recorda com satisfação o seu percurso pel’ “a União”.
“Era ainda uma criança quando aqui comecei a trabalhar, adaptei-me muito bem ao tipo de trabalho e sempre gostei de todas as funções que desempenhei aqui. Interessei-me plenamente pelo meu trabalho e posso mesmo afirmar que aprendi imenso com muitas das pessoas que por aqui passaram, inclusive muitos deles alguns dos maiores intelectuais da literatura açoriana, nomeadamente o Monsenhor José Machado Lourenço, o Padre Coelho Sousa, Cunha de Oliveira, os vários chefes de redacção como Barcelos Mendes e Pedro de Merelim, entre muitos outros”, destaca.
Na realidade, Elvino Lourenço revela que “a União” funcionou como uma espécie de escola, onde foi aprendendo com todos os que por este jornal passaram.
Durante estes 40 anos, o paginador d’ “a União” recebeu várias propostas de trabalho, inclusive para outras ilhas, muitas delas “bem vantajosas a nível financeiro”, mas
nunca aceitou sair daquele lugar onde aprendeu tudo o que sabe.
Sempre responsável no que respeita ao seu trabalho, o exemplar trabalhador só falha ao seu serviço por motivos de doença e de força maior, tendo consciência que “quando me é impossível vir trabalhar por algum motivo, sei que será outro colega a ser sacrificado para executar as minhas funções”, facto que o incomoda.
Elvino Lourenço narra que pela redacção do jornal só passaram pessoas ambiciosas. “Todos os administradores e chefes de redacção que passaram por este jornal durante estes anos consideravam que havia sempre alguma coisa a melhorar e sempre uma forma de evoluir. Mesmo depois deste jornal ter feito muito por esta ilha em alturas que marcam a nossa história, como o sismo de 1980, em que “a União” foi uma forma de motivação para o povo e para a reconstrução da cidade e de todas as paróquias. Esse é um dos pontos altos deste jornal, que lhe atribui uma relevante importância nas páginas de história da ilha Terceira e na cidade Património Mundial”, defende com orgulho.
Já assistiu à entrada e saída de imensa gente do jornal. No entanto, manifesta que os sentimentos de amizade, compreensão e cumplicidade se mantiveram sempre o mesmo entre todos os membros. “Isso é mais uma motivação para cada dia de trabalho”, sublinha.
“Para se trabalhar nesta área é preciso ter gosto, não é um trabalho fácil, mas com vontade tudo se faz e bem feito. Há a necessidade de conhecer a forma de trabalhar dos jornalistas e o que pensam para que o trabalho corra bem”, considera.
Uma aprendizagem que ainda não acabou
Embora a caminhada tenha sido longa, para o paginador ainda há muitos mais degraus a construir. “Há sempre evolução e acredito que ainda irei aprender muito mais aqui. Acredito plenamente que “a União” nunca irá desaparecer, pois a Diocese sempre fez chegar a sua mensagem a todo o lado através deste meio, o que faz com que este seja valioso para a Diocese. Este jornal já passou por imensas crises, mas sempre conseguiu recuperar e resolver da melhor forma os problemas. Até me lembro das manifestações que tivemos à porta no 25 de Abril de 1974 que ultrapassámos rapidamente. Tenho a certeza de que será sempre assim”, diz confiante.
Hoje, com as novas tecnologias, “embora pareça que não, as dificuldades aumentam para um jornal como o nosso, pois a informação é de mais rápido e fácil acesso. Mesmo assim, “a União” tem conseguido entrar nesta onda de globalização e tem feito o seu papel da melhor forma que pode e sabe” assume.
Para tantos anos de trabalho e de aprendizagem, Elvino revela que o segredo está em ser optimista. “Sou optimista acima de tudo e sempre! Adapto-me bem a todo o ambiente e dou-me bem com toda a gente, tentando compreender a forma de trabalhar de cada um. E tinha de ser mesmo assim, pelo número de pessoas com diferentes formas de ser com quem já trabalhei aqui”, confessa.
Embora não seja um homem de expressar muito o que sente, Elvino afirma que “a União” sempre funcionou e continua a funcionar como uma família. Depois de um simples gesto feito pelos colegas de trabalho de modo a marcar esta data especial, o paginador confessa que esse gesto é o reflexo daquilo que sempre foi “a União”.
“Fiquei muito satisfeito, foi um gesto bonito que me marcará sempre com certeza e que me dá muita mais força e motivação para continuar na grande família que é “a União”.
Ana Isa Cabral
Saudações Desportivas

